Recentemente assisti uma palestra sobre Marketing para Empreendedores em um evento em Florianópolis, onde o palestrante (José Chequer, professor da fundação Don Cabral) comentava sobre a importancia na qualificação das pessoas que trabalham nas empresas. Ele citou o exemplo do MacDonalds, onde a atividade é particionada de forma que cada um possa saber simplesmente uma parte do processo, sem ter noção do todo e sem tomar nenhuma decisão. Essa linha de raciocínio, segundo ele, denota das idéias da administração de Taylor e Fayol, chamado de modelo clássico.
Neste momento, comecei a pensar sobre os modelos tradicionais de desenvolvimento de software (inclusive o adotado na empresa que trabalho ) em contrapartida com o modelo Ágil. No modelo tradicional, são criados inúmeros papéis, com um particionamento claro de responsabilidades. Onde trabalho, por exemplo, temos analista de negócios, analista de sistemas, testador, arquiteto e programador. No modelo ágil, o número de papéis se reduz e a definicao das responsabilidades normalmente é um pouco mais flexível.
Diz-se que metodologias ágeis somente são eficientes quando aplicadas em times de pessoas altamente qualificadas, o que realmente não é a realidade da maioria das empresas. Normalmente se contrata uma pessoa extremamente talentosa para cada 4 menos talentosas e se monta uma espécie de "esquadrão de elite", onde as regras são definidas por esse esquadrão para os incautos. Essa desproporção de talentos na verdade se justifica pelo custo, pois o salário de um desenvolvedor talentoso é normalmente bem mais alto que o dos outros.
Conclui-se que a criação de metodologias burocráticas surge como uma tentativa de reduzir os erros e aumentar a qualidade do software produzido sem gastar mais com contratação, certo?
Daí vem meu questionamento...será que o custo de criação de papéis extras, metodologias burocráticas, aquisição de ferramentas para BPMN, BPEL, UML e Gestão de Requisitos, tempo gasto no cumprimento das regras definidas para formatar o comportamento dos menos talentosos não supera o custo de contratação de uma equipe formada por programadores mais talentosos que pudesse utilizar uma metodologia mais enxuta?
Penso que vale a reflexao...
2 comentários:
Concordo com sua analogia, acho que ao invés de gastar com este tipo de ferramentas, o investimento poderia ser direcionado à contratação de pessoas talentosas e à qualificação das "menos favorecidas intelectualmente". Tudo bem que talento talvez não seja algo que se possa aprender, mas com certeza no meio do "time de incautos" devam haver prodígios que apenas precisem de um empurrãozinho....
é verdade Klein...sabemos bem que na maioria das vezes o barato sai caro para as empresas.
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